Lenda de Dom Sapo - Viana do Castelo


LETRA   |   PIANO   |   A CAPPELLA   |   CANÇÃO

Letra: Augusto "Canário"

Música: Eurico Carrapatoso


No período medieval, os senhores feudais detinham um poder que por vezes era ilimitado. Alguns fidalgos impunham no seu feudo uma revoltante prática: arrogar o “direito da primeira noite” – onde, todas as noivas recém-casadas, supostamente virgens, seriam desfloradas pelo senhor antes mesmo de se deitarem com os seus maridos.

Esta e outras práticas aviltantes causavam a revolta do povo que muitas vezes se submetia a elas por medo das represálias ou dependência.

No Alto Minho viviam muitos senhores feudais mas, um deles em particular – D. Florentim Barreto – vivia perto de Viana do Castelo, na freguesia de Cardielos, e seguia à risca o vil direito. Fosse a noiva baixa, alta, gorda, magra, bonita ou feia, todas elas conheciam o D. Florentim.

O povo vivia revoltado. Não só pelos impostos infames que este cobrava ou pela altivez e arrogância com que a todos brindava… tinham-lhe um ódio de morte pela desonra das suas virgens e, batizaram-no de D. Sapo.

Ora, conta a lenda que um jovem destemido de Cardielos, que havia sido criado pelo D. Sapo, não estava disposto a ceder à luxúria do fidalgo e resolveu usar o seu engenho e arte. Reuniu com os criados do senhor e convenceu-os a pedir uma audiência ao Rei. Os criados preveniram-no contudo que o D. Sapo tinha na corte muitos amigos e que a palavra dos servos, nunca seria considerada.

Mas o irreverente jovem tinha outras ideias: na audiência, ele e os criados pediram que lhes fosse autorizada a morte de um sapo terrível que tinha aparecido em Cardielos há alguns anos, que roubava a pureza às noivas e a todos atacava. O Rei mandou então que tão vil praga, esse sapo horrendo, fosse morto à sacholada.

Perante tal sentença, mal regressaram a Cardielos, os criados foram buscar as sacholas e de seguida, foram visitar D. Sapo à sua alcova. Lá estava ele acompanhado e dedicado ao vício.

E foi assim, à sacholada que aplicaram sem hesitações e sem remorso o édito real.

Ao saber da sua morte, os fidalgos amigos do D. Sapo alertaram o rei da revolta dos camponeses, resultante na morte do senhor, ao que este ordenou de imediato que os trouxessem à sua presença com o objetivo de os sancionar.

Mediante a intenção do Rei de os mandar para o cadafalso, os conjurados replicaram que tinha sido o Rei a dar a ordem de morte, que os motivos apresentados eram legítimos e verdadeiros, e que isso era atestado por testemunhas.

Após reflexão, El Rei devolveu-lhes a liberdade e mandou-os de regresso a Cardielos.

Lá se foi o D. Sapo e o sofrimento de tantas donzelas. E assim fica provado valor do engenho e da determinação.