Lenda da Porta do Sol - Valença


LETRA   |   CORO E PIANO   |   CANÇÃO

Letra: Augusto "Canário"

Música: Telmo Marques


Valença foi o nome adotado a partir de 1262 para a terra anteriormente designada como Contrasta, desde o foral de D. Sancho I.

Em tempos ainda mais remotos, havia uma bela princesa que havia herdado o nome desta sublime terra – Contrasta. Era a filha mais velha de um rei muito velhinho que aqui reinava, uma rapariga encantadora, com uma beleza incrível. A mais cobiçada rapariga nestas paragens.

Reza a lenda que, um dia, um cruel príncipe mouro que estava de passagem ficou seduzido pelos seus encantos, perdidamente apaixonado. Contudo, a sua cobiça, maldade e sede de poder eram muito fortes. Ao comando de um poderoso exército atacou todos os que aqui viviam causando dor e sofrimento. Seguiram-se duras batalhas às quais o velhinho rei, pai de Contrasta, não conseguiu vencer. Incapaz de conter o ímpeto do mouro, escondeu-se nos jardins que rodeavam o seu palácio. Sobre o velho monarca pairavam pétalas que, ao cair, se transformavam em pedras. Pedra sobre pedra, formaram-se sobre ele as muralhas, sob as quais ficou sepultado.

No final das batalhas, o príncipe Mouro bem o procurou sem sucesso. Queria encontrá-lo para assim reclamar vitória, as suas riquezas e, principalmente, a mão de Contrasta.

Incapaz de alcançar os seus intentos e furioso por se ver sem os despojos de guerra, abandonou o território destruindo tudo à sua passagem. Mas Contrasta, tinha uma irmã mais nova que o cruel príncipe mouro encontrou quando saía da fortaleza. Ela fitou-o aterrada. Ele, possuído pela raiva, trespassou-a friamente com a sua espada. De imediato, reza a lenda que o céu se iluminou com uma luz que a todos cegou por momentos. Quando esta se esvaneceu, havia desaparecido o corpo da mais nova irmã de Contrasta e, no seu lugar, tinha-se aberto nas muralhas um lindo portal, a que desde aí começaram a chamar “Portas do Sol”.

Entretanto, alertada pelos gritos da jovem irmã acorreu Contrasta, a princesa herdeira que pelo mouro manifestou o seu ódio e desprezo. Este, envergonhado, ao ver surgir à sua frente a velha paixão, não teve coragem de pedir perdão por todo o sofrimento que causara. Contrasta tinha por ele um absoluto desprezo. O mouro, tomado pela ira e despeito, pegou nela e prendeu-a numa frondosa árvore onde a martirizou e ali abandonou. Começaram então a cair da árvore folhas sobre o seu rosto que lhe segredaram: – “vais ser coroada, tu és um exemplo de valentia e bondade”. Então, desceu sobre as Portas do Sol uma coroa que lembra como o mal pode ser tão perverso.

Seguidamente, as forças do céu tomadas em fúria, lançaram o cruel mouro vale abaixo e transformaram-no num rio, que ainda hoje corre, aprisionado em seu leito – chamam-lhe Minho. Por vezes, bem tenta sair do seu curso e alcançar as muralhas da Contrasta suplicando o perdão pelo mal causado, mas, fica sempre confinado ao seu leito, repelido pelo poder das Portas do Sol.