Rota dos Castros


Possuindo condições naturais privilegiadas, com um subsolo rico em matérias-primas e abundância de terrenos férteis e bem irrigados, a área geográfica abrangida pelo território do Alto Minho foi desde muito cedo palco de uma intensa ocupação humana que ao longo de milénios foi moldando a sua paisagem.


Frequentada na Pré-História por grupos nómadas de caçadores-recolectores, a região assistiu à progressiva sedentarização das primeiras comunidades agro-pastoris do Neolítico e à hierarquização social que acompanhou a descoberta da metalurgia. Em finais da Idade do Bronze e princípios da Idade do Ferro (1.000 a.C. – 500 a.C.), viu os seus montes polvilharem-se de povoados fortificados, conhecidos como castros, cividades ou citânias, que constituem expressões materiais particularmente relevantes do conjunto de povos que ocupou esta região da Península Ibérica, em particular no período anterior à chegada dos romanos. Só no Alto Minho existem mais de duas dezenas de monumentos de cultura castreja, constituindo uma das regiões do País com maior concentração deste tipo de património arqueológico. Todas as freguesias têm na sua génese, pelo menos, um povoado desta natureza.


Os fortificados têm o nome de castros ou de citânias quando são de dimensões mais extensas, e são constituídos por ruínas ou vestígios arqueológicos de um género de povoado, cujas edificações têm a particularidade de serem na sua maioria em estrutura circular, feita de pedra, cujos telhados eram em forma cónica e revestidos de colmo. Assemelham-se assim a estruturas visíveis também em fortificados na Bretanha, Ilhas Britânicas e Gália, entre outros territórios da Europa Central.


Apesar de terem sido em muitos casos reaproveitados pelos romanos, a origem dos castros e citânias nortenhas é atribuída aos Gallaeci, uma tribo celta ou celticizada que ainda hoje leva a que povos nortenhos e galegos se considerem galaicos e da qual se pensa que esteja na origem de muitas tradições, costumes e folclore que são partilhados pelos povos minhotos, transmontanos, galegos e em parte das Astúrias.


Muito do património castrejo do Alto Minho encontra-se soterrado, escondendo os seus segredos e esperando que futuros arqueólogos os venham descobrir. Nos castros que são visitáveis, podem ser observadas as bases das suas habitações e das muralhas defensivas, dando uma pequena ideia das dimensões e disposição das estruturas de então.