Rota dos Castelos e Fortalezas


O Alto Minho, já desde o período castrejo, é rico em monumentos histórico-militares e, mesmo atendo-nos às datas posteriores à fundação de Portugal, depararemos através dele com uma série importante de muralhas, castelos, fortes e fortificações de várias épocas.


Entre essas obras castrenses enumeram-se as torres ou mesmo os castelos que outrora se erguiam na sede das várias terras em que, no início da nacionalidade, se dividia o território do atual distrito de Viana do Castelo: S. Martinho, Caminha (Vilarelho), Cerveira, Froião, Pena da Rainha, Valadares, Valdevez, Nóbrega, Penela, Aguiar, Santo Estêvão e Neiva.


Implantaram-se outras em lugares fronteiriços, como os castelos do Lindoso, Castro Laboreiro, Melgaço, Lapela, Valença, Cerveira e Caminha, a estorvar locais de fácil passagem ou de melhor penetração no terrão português, através do rio Minho ou da raia seca, mesmo numa linha mais recuada, tal era o caso de Ponte de Lima, ou do Litoral, no caso de Viana do Castelo. Foram construídas em maré de tensão ou antevendo perigo, nos tempos dos reis D. Afonso II, D. Dinis, D. Pedro I, D. Fernando, D. Manuel e D. Sebastião.


A partir do século XVI, as novas táticas de guerra, após a difusão da artilharia, exigem a construção de fortificações de outro tipo, que assentam no litoral do Alto Minho, de Viana até Caminha, ou na raia fluvial, de Caminha até Monção. Remontam aos inícios do domínio filipino, às guerras da Restauração e da Sucessão, e, nalgumas achegas, a posteriores momentos de alvoroço. A elas aparecem ligados, no escalonar-se dos tempos, nomes de engenheiros militares e artistas tão importantes como Filippo Terzi, Spanocchi, Leonardo Turriano, Michel de Lescol, Manuel Pinto Vilalobos e conde de Lippe.


Estas construções são documentos valiosos da nossa história nacional, e ao mesmo tempo manifestações, não raramente exímias, da arte de construir, garantia da perícia dos artistas, e hoje de tal maneira se casaram com a paisagem, que dela se tornaram inseparáveis, como se lhe dessem um pouco da sua própria alma. 


MATOS REIS, António, 1996 - Castelos do Alto Minho