Rota do Moderno ao Contemporâneo


O Alto Minho orgulha-se do seu passado milenar, cuja memória persiste num valioso património histórico em que boa parte se encontra classificado como Monumento Nacional, mas também tem os olhos postos no futuro, procurando conjugar este importante legado com a inovação e a modernidade. 


Vila Nova de Cerveira é um bom exemplo dessa aposta, onde as artes são sinónimo de desenvolvimento cultural e artístico, resultado, em boa verdade, do impulso gerado pelas Bienais Internacionais de Arte. Nesta bucólica vila alto-minhota, os espaços públicos são conquistados por obras artísticas e novas abordagens estéticas, tornando-a num verdadeiro museu de escultura contemporânea ao ar livre, e a arquitetura manifesta preocupações ao nível da regeneração, reabilitação e edificação integrada.   


Esta vaga modernista está também presente em Viana do Castelo com um conjunto de edifícios ambiciosos da autoria de arquitetos de renome: Siza Vieira que desenhou a Biblioteca Municipal, Eduardo Souto Moura que projetou o Centro Cultural, ambos galardoados com o Prémio Pritzke; e Fernando Távora, responsável pelo desenho da Praça da Liberdade e dos dois edifícios que a delimitam. 


Desta “Meca da Arquitetura”, assim classificada pela conceituada revista inglesa de design e arquitetura - Wallpaper, constam ainda outros edifícios notáveis, fruto de uma época, de uma história e de um traço que diversos arquitetos deixaram para a posteridade, como o templo de Santa Luzia com traço de Ventura Terra, a ponte metálica de Viana, desenhada pela conceituada Casa Eiffel, ou os excelentes exemplares de Art Deco na Avenida dos Combatentes da Grande Guerra. 


Mas a influência modernista não se esgota nestes exemplos! Este fenómeno repete-se um pouco por todo o Alto Minho, onde modernidade e história fundem-se numa harmoniosa ligação com a paisagem, dando lugar a uma arquitetura que, não deixando de ser moderna, dá importância ao sítio, ao património preexistente e sua envolvência, desempenhando um papel cada vez mais importante como referência para o futuro das comunidades, como motor de desenvolvimento económico e social e como referência para uma arquitetura contemporânea enraizada na nossa cultura e tradições.