Fortes Marítimos e Fluviais


forte de insua


A região do Alto Minho é marcada por uma diversidade de recursos histórico-arqueológicos ligados aos rios e ao mar. Ao longo da costa do Litoral Norte e na margem esquerda do rio Minho, na raia portuguesa com a Galiza, erguem-se castelos medievais e antigas fortificações militares, outrora fundamentais no contexto das Guerras da Restauração da Independência Portuguesa. 


Fortes do Litoral

A orla litoral do Alto Minho é marcada por antigas fortificações da linha de defesa da costa portuguesa, que valem a pena uma visita. O ponto de partida situa-se junto ao Forte de Santiago da Barra, na parte oriental da cidade de Viana do Castelo.

Trata-se de uma construção do século XVI (embora existam vestígios de uma estrutura defensiva anterior), reformada e ampliada no século XVIII. 

Também inseridos na frente marítima deste concelho, surgem o Fortim da Areosa, também conhecido por “Rego do Forno” ou “Castelo Velho”, e o Fortim de Paçô, em Carreço, junto à praia dos Ingleses, com o Farol de Montedor, sobranceiro ao mar, a moldar a paisagem no alto dos seus 28 metros (103 metros de altitude acima do nível do mar). Este é o farol mais setentrional da costa continental portuguesa. 

Ao longo deste percurso merece também referência o conjunto de moinhos de vento, de planta circular, que se destaca na paisagem litoral. Hoje, grande parte deles já sem as suas tradicionais velas e transformados em casas de praia, são geralmente ocupados na época balnear, com exceção do conjunto dos três moinhos classificados como Imóveis de Interesse Público de Montedor (Carreço), que se encontram restaurados, com dois deles em perfeito funcionamento (um de velas em pano e outro de velas trapezoidais em madeira). 

Mais a Norte, já no concelho de Caminha, encontram-se o Forte da Lagarteira, em Vila Praia de Âncora, que está classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1967, o Forte do Cão, no lugar da Gelfa, e, a completar a defesa da costa portuguesa, aquela que é considerada a mais emblemática de todas as fortificações, o Forte da Ínsua, localizado no ilhéu da Ínsua, em Moledo, e classificado como Monumento Nacional desde 1910. 

Este ilhéu foi inicialmente ocupado por uma comunidade franciscana no século XIV, altura em que construíram o convento de Santa Maria da Ínsua. Também deste período deverá datar a primeira fortaleza, mas da qual nada resta. A fortaleza tal como hoje a conhecemos data do século XVII, do reinado de D. João IV. 

Uma curiosidade… possui um poço de água doce, um dos três únicos do mundo situados no mar. A travessia até à ínsua é assegurada pela Capitania do Porto de Caminha.


Fortes da Raia Fluvial

As fortificações no Alto Minho surgem não só na costa atlântica, como na zona de fronteira. Ao longo do curso acidentado do rio Minho, desde a foz do Minho (em Caminha) até à remota vila de Melgaço, magníficas fortalezas seiscentistas ou castelos medievais testemunham a importância estratégica desta fronteira com 800 anos. 

Começando pela vila de Caminha, das muralhas que por essa época rodeavam a povoação, restam hoje algumas portas e dois baluartes - o Baluarte da Matriz, junto à Igreja Matriz, e o Baluarte de Santo António, perto do Convento de Santo António – para além da Torre do Relógio (entre a Praça Municipal e a Rua Direita), último reduto da antiga cerca medieval.

A situação de fronteira justificou também a construção de um Castelo, em Vila Nova de Cerveira, durante o reinado de D. Dinis (1305 a 1308), sobre um pequeno morro sobranceiro ao rio, com o objetivo de defender a recém-criada povoação de Cerveira das investidas que vinham da margem direita. Do conjunto intramuros salientam-se diversos monumentos, nomeadamente o pelourinho, a igreja e a capela. Classificado como Monumento Nacional, foi convertido em pousada. 

Continuando o périplo pelos fortes e castelos da raia fluvial, a Fortaleza de Valença, exemplo clássico de arquitetura militar, edificada no século XVII, com mais de cinco quilómetros de muralha, 10 baluartes, igrejas e casas senhoriais, está numa das maiores e mais bem conservadas fortalezas do mundo. Dela se domina o rio Minho, a ponte metálica desenhada por Gustavo Eiffel, em 1885, e a vila galega de Tui. A cidade intramuros e a sua intensa atividade comercial escondem as mais diversas surpresas.

Já em Monção, das muralhas medievais, construídas no tempo de D. Dinis, resta apenas um trecho junto ao passeio dos Néris. Devido à intensificação das guerras à mão armada, construíram-se outras mais extensas, que compreendiam quatro portas principais: a de Salvaterra, do Rosal, da Fonte (Caldas) e de S. Bento. Consideradas Monumento Nacional, as atuais muralhas resultam de uma modificação ocorrida no começo do século XVIII. 

A linha defensiva do rio Minho fica completa em Melgaço, onde se encontram os restos de uma antiga fortificação, que remonta aos primeiros momentos da nacionalidade portuguesa e da qual subsistem a Torre de Menagem e parte da antiga cerca da vila medieval. Nesta torre quadrangular funciona um núcleo museológico sobre o património arquitetónico, histórico e cultural de Melgaço.