Quarta-feira 28 de Junho, 2017
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Fique a conhecer melhor o Alto Minho e os dez concelhos que compõem este espaço territorial: Arcos de Valdevez, Caminha, Melgaço, Monção, Paredes de Coura, Ponte da Barca, Ponte do Lima, Valença, Viana do Castelo e Vila Nova de Cerveira. Veja ainda as notícias, curiosidades, rotas turísticas, guias, informação de apoio empresarial e muito mais sobre esta região do Noroeste português.
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Aldeias do Soajo e do Lindoso, à descoberta dos tesouros do Alto Minho

Em comum, as aldeias do Soajo e do Lindoso possuem uma beleza invulgar, a paz do silêncio rural (impraticável na correria citadina) e os maiores conjuntos de espigueiros do Alto Minho.

O mais remoto documento referente ao Soajo data do ano 950, mas apenas no século XVI lhe foi atribuída carta de foral. Os habitantes eram denominados monteiros, designação que derivava da sua atividade principal: a caça. A localização (numa das vertentes da serra da Peneda, sobranceira ao rio Lima, no concelho de Arcos de Valdevez) e a dificuldade de acesso ditaram, durante muitos anos, um isolamento atroz. Mas, como diz o povo: «Há males que vêm para bem» e este fato reforçou o espírito comunitário e evangélico, que sempre granjeou a esta população o carinho e privilégios por parte do poder real. Conta-se que D. Dinis, extremamente sensível aos direitos dos soajeiros, terá recebido, num dia em que passava pelo Soajo, queixas de abusos dos fidalgos relativamente aos monteiros. Ordenou imediatamente que os ditos fidalgos não se demorassem por aquelas paragens mais do que o necessário para «esfriar um pão na ponta de uma lança».

Aproveitando o ensejo desta história, partimos para a praça principal, onde se destaca o pelourinho, elemento arquitetónico de forma muito simples mas original, datado de 1910. Patenteia no alto da coluna um rosto esculpido com um triângulo ao cimo, que, no entender de alguns autores, representaria o fidalgo com o pão a esfriar.

As ruas são ainda pavimentadas com lajes de granito e as casas edificadas com blocos de pedra. Continuam a encontrar-se casas bem típicas, com dois andares, varanda corrida no topo, janelas e portas pequeníssimas e uma escada exterior.

A igreja do Soajo consubstancia um simpático templo em cantaria, com uma torre sineira à direita da frontaria.

Os 24 espigueiros (exemplares da arquitectura rural e popular do Norte do país destinados ao armazenamento e conservação das espigas de milho grosso, nestas aldeias todos feitos em pedra à exceção das portas), localizados numa gigantesca laje granítica utilizada como eira comunitária, foram classificados como imóvel de interesse público em 1983, funcionando como museu vivo.

Não muito longe do Soajo está a aldeia do Lindoso, no concelho de Ponte da Barca. A eira comunitária, embora aqui com outro enquadramento, acolhe, do mesmo modo, um admirável conjunto de espigueiros. À chegada, é contudo o castelo medieval que toma conta dos sentidos. Esta construção do rei D. Afonso III foi declarada monumento nacional. O quadrado de 80 metros de largura com uma esplêndida torre de menagem feudal que constitui a edificação foi alvo de ataques frequentes no decurso da guerra da independência de Espanha, no século XVII. Lá do alto, é vasto o horizonte do que a vista alcança: o vale do rio Lima, as serranias circunvizinhas e até a Galiza.