Segunda-feira 26 de Junho, 2017
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Feiticeiras de Castro

Que as feiticeiras se reúnem de noite para as suas tropelias e divagações festivas, todos o sabem, mas porque é que elas têm uma predilecção pelo Monte do Crasto, isso é que ninguém consegue adivinhar. O certo é que por ali são muitas as vezes em que as vadias das feiticeiras incomodam muitos dos caminhantes.
Os afazeres do campo ou dos ofícios nem sempre terminavam à luz do dia, obrigando a percorrer os caminhos mais esconsos e escuros, envolvidos pelo barulho da floresta viva. As feiticeiras preferiam a escuridão, querendo-a só para si, infligindo por isso toda a espécie de males aos que se aventuravam pela noite nos locais dos seus encontros. No Monte do Crasto havia um cruzamento que todos temiam percorrer de noite. Ali aconteciam coisas do diabo que ninguém queria entender, mas somente evitar.
 Conta-se que um homem estava a trabalhar ali perto, na Quinta do Pinho. Era ele pedreiro e encontrava-se a reparar umas paredes que tinham urgência de obras. Era essa urgência que o tinha obrigado a trabalhar pela noite dentro. Enquanto picava e assentava a pedra, o som do cinzel e do maço alongava-se na noite, perturbando o silêncio da mata. A dada altura começou a ouvir umas vozes muito estranhas:
- Ah! Seu malandro..., seu este..., seu aquele.... A trabalhar pela noite dentro?
O homem nem respondeu, pois não via ninguém a quem culpar aquelas vozes provocadoras. Mas, alongando um pouco o olhar, viu vir na sua direcção uma porca com porquinhos... Largando o maço, foi ao encontro dos porcos, na tentativa de os agarrar. Ora pega num, ora pega noutro..., agarra aqui, agarra ali..., mas os porcos pareciam estar a gozar com ele, pois não os conseguia segurar. Até que voltou a ouvir as vozes misteriosas:
-Vai-te embora daqui! Não te fazemos mal, porque te conhecemos, senão já não te ias embora!
Fixando os olhos apenas no caminho de regresso a casa, o pobre do homem não deixava de dizer, baixinho, para si. — As feiticeiras deram comigo! — E sem olhar para trás correu para casa, temendo pela vida.
A mesma sorte não tiveram o Caetano e o Tavares! O Caetano trabalhava na casa da D. Augusta como jornaleiro. Um dia a patroa mandou-o para Nogueira, para uma Quinta que lá tinha, a tratar das sementeiras. O trabalho botou-se para muito tarde, regressando a casa já noite feita e bem escura. Quando passava ao Crasto saltaram-lhe ao caminho um bando de feiticeiras, que depois de o rodearem, soltando altas gargalhadas e dando grandes pulos, pegaram nele e meteram-no numa corte de gado, deixando-o todo nu! Tolhido pelo medo, e temendo as feiticeiras, o Caetano permaneceu ali toda a noite, no meio dos animais.
De manhã cedo foi o dono da corte soltar os animais para os campos e encontrou aquele homem! Vendo-o nu, e de olhar perdido, bem tentou o senhor ter uma resposta para a pergunta sobre o que lhe acontecera, mas o Caetano nada dizia: estava mudo!
-Isto é coisa de feiticeiras! - Concluiu o dono da corte, apressando-se a ir procurar agasalho para o pobre do Caetano.
Já quanto ao Tavares, as coisas foram mais sérias. Naquela noite regressava ele de tocar bombo pelas festas e romarias, quando foi surpreendido pelas feiticeiras. As feiticeiras rasgaram-lhe a roupa e depois de o lançarem nas silvas, levaram-no para cima de um penedo, em Boca, na freguesia de Moreira. O povo chamava a esse penedo, e parece com razão, o penedo das feiticeiras. Com as artes do diabo e a força do mafarrico, colocaram-no bem no cimo do penedo da Boca, deixando-o aí sozinho e mal tratado. Diz-se que foi preciso uma escada para descer o pobre do Tavares de cima do penedo. Mesmo assim a empresa revelou-se difícil, pois o homem nem se mexia com o medo da véspera. 
Muitas outras coisas dizem daquele cruzamento do Monte de Crasto, de tal forma que, sempre que podem, os moradores da zona evitam atravessá-lo depois da noite cair.