Quarta-feira 28 de Junho, 2017
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Unhas do Diabo

Lenda das Unhas do Diabo
   
Havia um escrivão em Ponte de Lima que era uma alma negra... não havia quem ele não difamasse na honra, não caluniasse na palavra, não prejudicasse num negócio ou numa causa de leis. Era odiado e temido em toda a vila.
Quando a sua hora chegou, às portas da morte, fingiu-se arrependido e convenceu, na sua sacrílega hipocrisia, um ingénuo sacerdote a dar-lhe a extrema-unção. Pensava que, assim, compraria a consideração dos seus vizinhos e lhes ficaria na oração... enganou-se, porém! Não houve quem lhe fizesse caixão, quem lhe abrisse cova, quem por ele dissesse uma simples oração.
Apenas os franciscanos do Convento de Santo António, na sua simplicidade piedosa, houveram de lhe dar sepultura. E deitaram-lhe por cima uma pesada laje funerária, pensando que o escrivão se fora de vez.
Estavam os homens santos recolhidos a suas celas depois da piedosa acção quando, às badaladas da meia-noite, um som cavo e profundo abalou aquela casa de oração: alguém batia na porta principal.
Pensando tratar-se de emergência, acorreram os irmãos... aberta a porta, estava-lhes defronte um alto cavaleiro, magro, de olhos brilhantes e pesada capa, negra como o breu da noite que o envolvia. Perguntado ao que vinha, afirmou-se parente do escrivão; que desejava ajoelhar no seu túmulo para uma última prece. Comovidos, os frades conduziram ao cavaleiro à sepultura do maldito. Os seus passos ecoavam nas lajes do chão como se em vez de pés andasse sobre grossos cascos de bode.
Mal se abeirou da sepultura do escrivão, o desconhecido cravou as mãos na lápide e, com uma força sobre-humana, a ergueu e arremessou ao centro da igreja. Os irmãos, tolhidos pelo pasmo e pelo temor observavam a cena petrificados. O cavaleiro tomou um cálice do altar, inclinou sobre ele a boca morta do escrivão e, com um violento murro nas costas do defunto, fê-lo lançar sobre a taça a hóstia consagrada, que o malvado recebera das mãos santas e ingénuas do padre, mesmo antes do último suspiro.
Agarrando o morto como se fosse um farrapo, o estranho cavaleiro lançou-se num ímpeto demoníaco contra uma das janelas da igreja e sumiu-se na noite...
... os irmãos persignaram-se, sentindo que tinham estado face a face com o demo chifrudo. De facto, belzebu em pessoa tinha vindo das trevas infernais reclamar a alma pecadora e não remida do miserável escrivão, arrastando-a para ao seu abismo sinistro.
Ainda nessa noite os frades arrastaram, às custas de muitos suores, a laje amaldiçoada para fora da sua igreja, abandonando-a logo que puderam... e lá ficou, aos olhares do povo, ou de algum menos crédulo que logo muda de ideia quando vê, rasgados na rude pedra, os sulcos poderosos das Unhas do Diabo.