Segunda-feira 11 de Dezembro, 2017
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Cabração

Lenda da Cabração
   
Tinha já D. Afonso Henriques vencido a célebre batalha de S. Mamede, no longínquo ano de 1128, preocupava-se o jovem monarca em firmar o seu território e os contactos com tropas hostis eram frequentes... Após o recontro do Rêgo do Azar, andava D. Afonso e seus pares na caça do javali e do urso quando foram presenteados com uma refeição que o Capelão do mosteiro de Vitorino das Donas lhes fez chegar.
O repasto era apetitoso, e o rei gracejava com os homens bons que o acompanhavam... falava-se de batalhas passadas, de companheiros perdidos, evocava-se o nome do grande Lidador, Gonçalo da Maia...
Subitamente, D. Egas, erguendo-se em sobressalto, aponta ao longe, para as bandas da fronteira, um turbilhão de pó. D. Afonso, temendo que os seus fossem apanhados em má posição, interrompe a refeição e todos se preparam para montar e cavalgar na direcção do novelo de pó. Apenas o bom Capelão, que havia ofertado o repasto, se manteve impávido, continuando a sua refeição.
“Cabras são, Senhor, comei descansado”, afirmou o Capelão, rindo para o rei mais despreocupado… e para marcar aquele dia em que um rebanho de cabras foi tomado por um exército leonês, excepto pelo Capelão que mais perspicaz, mais valente ou mais guloso, se deixou ficar, diz-se que decidiu o rei coutar uma terra. Desse couto se lavrou documento que mostra a vontade do monarca e os limites do Couto de Nossa Senhora de Azevedo, hoje freguesia da Cabração.
Diz a tradição oral que o nome da freguesia vem directamente da exclamação do Capelão: “Cabras são” terá passado a “Cabração” no dito popular, e assim chegou até nós. Mas tudo não passa de uma lenda popular, pois o topónimo é anterior à época do nosso primeiro rei.