Terça-feira 12 de Dezembro, 2017
pesquisa
#
#
Seja bem-vindo
Fique a conhecer melhor o Alto Minho e os dez concelhos que compõem este espaço territorial: Arcos de Valdevez, Caminha, Melgaço, Monção, Paredes de Coura, Ponte da Barca, Ponte do Lima, Valença, Viana do Castelo e Vila Nova de Cerveira. Veja ainda as notícias, curiosidades, rotas turísticas, guias, informação de apoio empresarial e muito mais sobre esta região do Noroeste português.
Newsletter
Newsletter
Subscreva a nossa newsletter e receba todas as novidades no seu e-mail.
Área reservada |
Rio Âncora

Lenda do rio Âncora
  
Esta lenda conta uma triste história de amores e vinganças, que deu nome a este rio, no tempo em que mouros e cristãos disputavam cada palmo de terra do Noroeste da Península.
Num palácio onde as fontes deitavam água perfumada e as sombras das laranjeiras aplacavam as iras do sol do meio-dia, vivia um alcaide mouro chamado Alboazar que tinha uma filha, Zahara, de uma beleza que nem os melhores tocadores da corte sabiam cantar. A fama da sua beleza era tal que passou fronteiras, e enfeitiçou o rei de Leão, D. Raimundo.
Alboazar organizava muitas vezes festins e torneios, onde os melhores cavaleiros muçulmanos acorriam em grande número. Trovadores, poetas e bardos de toda a Península eram chamados a estas festas, alegrando o festim com trovas e cantares. D. Raimundo esperançoso de vislumbrar a beleza de Zahara, disfarçou-se de trovador e foi ao palácio do alcaide mouro, por ocasião de uma grande festa em que a princesa deveria aparecer.
Mas a perfeição da princesa era tal que vê-la não lhe bastou: enamorado, seduziu a jovem e raptou-a, levando-a para as terras da Galiza, onde a manteve cativa do seu amor.
Alboazar jurou vingança terrível, mas esperou que dele ninguém houvesse suspeitar. Assim, passaram muitos meses, até que o mouro, usando de artimanha semelhante à do cristão, logrou fazer-se receber num banquete na corte de D. Raimundo.
Aí, por compromisso da sua vingança ou por que se tivesse apaixonado verdadeiramente, consegue os favores de D. Urraca, esposa do rei. E, tal foi a paixão da rainha, ou tão forte a persuasão do poderoso mouro que Urraca abandonou marido e filhos e fugiu com Alboazar para o seu castelo, nas terras soalheiras de Miragaia.
D. Raimundo, na humilhação da infidelidade da esposa, depressa esqueceu os seus amores por Zahara… disfarçou-se de cavaleiro muçulmano e foi a um torneio que Alboazar organizara, comemorando a sua conquista. Pela calada da noite alcançou a alcova do mouro e, amordaçando-o, mais a Urraca, rapidamente escapou do palácio e rumou a Norte, levando-os prisioneiros.
Mas a sede de vingança de Raimundo era profunda, a sua humilhação clamava um acto final… e Alboazar e Urraca olhavam um para o outro numa eloquência que levava Raimundo à loucura.
Na freguesia de Carreço, num local que ficou conhecido como Monte da Dor – agora Montedor – D. Raimundo tentou aplacar a sua ira incontida e assassinou Alboazar com as próprias mãos. Cometido o acto sacrílego, volveu a embarcar para Norte. Mas Urraca nem de temor se tolheu, e o seu rosto não escondia a dor sentida pela morte do amante… Raimundo, louco de raiva e de ciúme, amarrou uma âncora ao pescoço da rainha e lançou-o à profundeza das águas do primeiro rio que atravessou…
…que ficou conhecido a partir daí, por rio Âncora.