Sábado 27 de Maio, 2017
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Moira Encantada de Giela

Lenda da Moira Encantada de Giela
  
No tempo em que os Infiéis ocupavam as terras da Península, num outeiro sobranceiro ao rio Vez, mandou um poderoso rei moiro construir um soberbo palácio... à doçura das terras envolventes e à frescura das margens verdes do rio, juntou esse rei o conforto dos pátios e das fontes, dos jardins de ervas e flores aromáticas... era um magnífico palácio, no lugar de Giela, e Arcos de Valdevez.
Esse poderoso rei tinha uma filha, de uma beleza irreal, olhos profundos de azeviche, longos cabelos de um rutilante negro, e uma tez morena, que mais lembrava as areias do Norte de África que as ervas verdes da Galiza... Mas a princesa vivia infeliz: seu pai, temendo-se da sua beleza, não a deixava sequer olhar a paisagem das janelas do palácio, mantendo-a num recato completo, esperando um marido de conveniência, provavelmente um califa ou um vizir das suas relações.
Um dia, porém, a princesa enfeitiçou a obediência de alguns servos que lhe arrearam um ginete das cavalariças paternas... e saiu, só, cavalgando livre pelos prados verdejantes que levavam ao rio Vez. Aí desmontou, seduzida pelo brilho límpido das águas do rio... descalça, sentindo a frescura das ervas tenras sob os seus pés morenos, avançou até um pequeno remanso do rio onde molhou os pés. A água era fresca, corria pura e acariciava-lhe a pele numa sensação inebriante.
De repente a princesa sentiu sobre si um olhar: ergueu-se assustada, para encontrar, na outra margem, um cavaleiro de armadura prateada, montado num cavalo de guerra, branco como a neve. O cavaleiro trazia na mão um pendão onde ostentava um castelo dourado sobre um fundo vermelho... por detrás da viseira do elmo, que vinha subida, dois olhos de um azul celeste miravam a beleza da princesa moira.
E os olhos negros mergulharam nos olhos azuis, num arrebatamento que foi instantâneo e mútuo... parecia não ter fim aquele enlevo... bruscamente porém o feitiço quebrou-se, quando um numeroso grupo de soldados do rei mouro, descendo a colina em altos brados, recolheram a princesa ao palácio enquanto outros atravessaram as águas para dar batalha ao atrevido cavaleiro cristão. Perante o número, depois de um breve recontro, este escapou-se pelos brenhos cerrados que abundavam naquela margem do rio. Desapareceu.
E nunca mais a princesa voltou a ver o seu cavaleiro, nem se casou com algum califa ou vizir... e sempre que lograva escapar à apertada vigilância paterna, a princesa descia ao rio, e ficava escondida num cerrado de arbustos, olhando a outra margem, fixamente, com dois olhos de azeviche, esperando ver o prateado da armadura ou o alvar da montada.
Ainda hoje lá está... se passear pela margem do rio Vez e, de repente, sentir em si dois olhos coruscantes, negros como a noite, brilhantes como as estrelas, que o olham de alguma brenha ou matuço mais denso... é a Moira de Giela, esperando o seu cavaleiro prateado, num cavalo branco de neve, e com um pendão onde brilha um castelo d’oiro sobre vermelho de sangue!