Segunda-feira 21 de Agosto, 2017
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Fique a conhecer melhor o Alto Minho e os dez concelhos que compõem este espaço territorial: Arcos de Valdevez, Caminha, Melgaço, Monção, Paredes de Coura, Ponte da Barca, Ponte do Lima, Valença, Viana do Castelo e Vila Nova de Cerveira. Veja ainda as notícias, curiosidades, rotas turísticas, guias, informação de apoio empresarial e muito mais sobre esta região do Noroeste português.
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Património

O Património de Paredes de Coura é multifacetado e muito rico.

A variedade deslumbrante do património natural e paisagístico, moldado pela intervenção milenar do homem, agricultor e pastor, num hercúleo esforço; o património construído, nas vertentes profana, marcada pela procura de funcionalidade e de acentuada ruralidade, ou religiosa - alminhas, cruzeiros, capelas e igrejas, imaginária e pintura - inspiradas pela fé e pelas crenças, que os artistas e artesãos locais produziam, criando ou reproduzindo modelos estéticos que os impressionavam.

Estes elementos de contemplação, reflexão e estudo, no seu conjunto, transportam-nos a um mundo que nos permite, passo a passo, descobrir a história e as tradições deste Concelho. 

 

Património Natural
A característica peculiar da geomorfologia deste território, o clima que se manifesta em verões muito quentes e secos e invernos frios e húmidos, permitem que aqui resida uma biodiversidade riquíssima em espécies.

Montes e vales, riachos e cascatas, penedias monumentais, descobrem-se a cada olhar fortuito do mais distraído dos visitantes.

No Inverno, o rio Coura revolve pedras e areias, transpõe as margens, numa demonstração de força e vida; de Verão, a calma e a frescura das águas cristalinas, fervilhantes de vida, trutas, bogas, escalos e lontras serpenteiam ao longo do rio.

A Sudeste do Concelho, o Corno de Bico (recentemente classificada como Área de Paisagem Protegida, integrada na "Rede Natura 2000"), a preciosidade de uma esmeralda, de intensos matizes de verde, a frondosa carvalheira onde se acolhem espécies animais e vegetais autóctones. Aqui e além, sempre os granitos, algumas poças e charcos.

A riqueza da fauna exprime-se nas múltiplas espécies de aves (garças; rapaces - águias, falcões; andorinhas; pica-paus), répteis (lagartos; lagartixas; cobras), anfíbios (salamandras; tritões; rãs; sapos) e mamíferos (esquilos; raposas; ginetas; coelhos; javalis; corços; lontras).

A flora, é rica em espécies herbáceas, arbustivas e arbóreas, algumas raras, em risco de extinção. Espécies como o azevinho, o carvalho e o castanheiro, persistem em extensão e beleza, que já se tornaram raras.

 

Património Arqueológico
 
A presença humana no território que corresponde ao actual concelho de Paredes de Coura - área geograficamente coincidente com a bacia superior do Rio Coura - remonta ao Paleolítico, primeiro e mais longo período da Pré-História. Milhares de anos mais tarde, no Neolítico, opera-se uma alteração irreversível no modo de vida das comunidades humanas, por via das transformações registadas a nível económico e social: o homem passa de nómada a sedentário, prendendo-se à terra da qual depende.

Tradicionalmente difundido pela técnica de polimento dos utensílios de pedra, o Neolítico é, acima de tudo, caracterizado pela emergência de uma economia baseada na agricultura e na pastorícia, com reflexos no domínio tecnológico e social. O arroteamento dos campos para a agricultura passa a exigir novos instrumentos, como machados, enxós (ambos fixados a um cabo de madeira), goivas, lâminas de sílex, razoavelmente difundidos na bacia superior do Coura.

A vida organiza-se em aldeias, predominantemente situados em regiões férteis. A terra passa a estar no centro de um novo universo sagrado. As preocupações com o Além e a demarcação física e simbólica dos territórios explorados por cada comunidade manifestam-se na construção de antas - monumentos funerários colectivos compostos por grandes lages de pedra e cobertos por uma mamoa, que constituem o fenómeno cultural designado por Megalitismo. As principais concentrações registam-se na Serra de Bico (Antela da Cruz Vermelha), em Chã de Lamas (Vascões), na Serra da Boualhosa (Insalde) e em Porreiras.

Do Neolítico Final/Calcolítico e Calcolítico/Idade do Bronze as duas manifestações artísticas de primordial importância no contexto da arte pré e proto-histórica nacional: A Estela Insculturada da Boualhosa e a Estela Menir da Boualhosa, ambas encontradas na freguesia de Insalde.

A Idade do Bronze (finais do 3.º milénio ao século VIII a.C), caracteriza-se pela diversificação dos instrumentos, resultante do aperfeiçoamento das técnicas metalúrgicas, e por uma acentuada transformação social. Os vestígios de ocupação deste período são escassos na bacia superior do Rio Coura. Contudo, embora não se possa apontar, com alguma certeza, a existência de qualquer povoado (o Alto da Coguluda, em Insalde, apresenta fortes porssibilidades de ter sido ocupado nesta altura), conhecem-se alguns instrumentos característicos desta época, nomeadamente catorze machados de bronze - oito encontrados no monte do Castelo, em Formariz, três na base do monte de S. Sebastião, em Cristelo, e três no Alto da Coguluda, de dois anéis, sem qualquer vestígio de uso, e evidenciam, muito provavelmente, um fabrico regional.

O domínio da metalurgia do ferro deu início a uma nova fase (Idade do Ferro, 900 a.C. à 2.º metade do séc I d.C) que virá a introduzir transformações no mundo mediterrênico e europeu, proporcionando uma superioridade técnica que conduzirá a consideráveis modificações no comportamento social.

Na bacia superior do Rio Coura, tal como em grande parte do noroeste peninsular, a expressão cultural mais significativa deste período caracteriza-se pela emergência de um povoamento organizado em habitats fortificados - os chamados castros -, implantados em relevos proeminentes, com boas condições de defesa e visibilidade. Intervenções arqueológicas efectuadas em povoados fortificados de Cossourado, Romarigães e Cristelo (no concelho de Paredes de Coura estão inventariados mais treze sítios arqueológicos desta época) colocaram à superfície construções habitacionais, de serviços e de defesa edificados por sociedades de características agro-pastorais, mas também economicamente dependentes da exploração de recursos naturais. A cultura material que delas chegou até nós apresenta-se relativamente homogénea, predominando os artefactos e utensílios de pedra (tríscele de Favais) e cerâmica. Os metais - maioritariamente bronze - são escassos e surgem quase sempre associados a objectos de ornamentação pessoal e de prestígio (fíbulas, braceletes, pendentes, alfinetes de toucado, punhais).

Com a chegada dos exércitos romanos à região, no século I a.C., as vias de comunicação rapidamente se estendem a toda a península, formando uma intensa rede por onde circulam exércitos, mercadorias, impostos e um novo modelo de vida. É o caso da 19ª Via do Itenerário Antonino ou XIX Via Militar Romana que, atravessando as freguesias de Romarigães, S. Martinho e Rubiães, ligava as cidades de Bracara Augusta (Braga) e Asturica Augusta (Astorga). Dela nos restam importantes legados, dezasseis miliários, colunas cilíndricas de granito que, colocadas à margem da via, indicavam, entre outros elementos, a distância em milhas em relação à cidade de Braga
 
 
Património Civil
Estamos numa zona de característico povoamento disperso. As habitações espalham-se pelos terrenos de cultivo em singelos aglomerados de poucas casas modestas.

Aqui e além, integradas nos domínios agrícolas, surgem as Casas Grandes, rodeadas das suas quintas.

Casa Grande é a designação local do solar tradicional minhoto, residência de aristocratas fundiários, a sua opulência ou discrição eram tanto maiores ou menores, quanto a grandeza e o poderio económico das famílias proprietárias e contrastava com as modestas residências das famílias de agricultores. Casas Grandes como a de Romarigães (Romarigães), Outeiro (Agualonga), Santana da Seara (Ferreira), Afe (Mozelos) e Antas (Rubiães), denotam traços arquitectónicos multifacetados, quer na planta e alçados quer mesmo nos elementos decorativos que foram enriquecidos essencialmente durante o séc. XVIII.

A Casa de Brasileiro, que surge a partir de meados do séc. XIX, tem o seu expoente máximo na casa da Quinta da Ponte, em Mantelães, Formariz, um edifício neoclássico, de frontaria simples mas marcante, envolta num belíssimo jardim romântico, onde abundam recantos com fontes e lagos, e onde se demarca um pequeno torreão neogótico, em tempos mirante e casa de chã.

Os edifícios populares, confinam-se a plantas e alçados tradicionalmente simples e sóbrios, onde a funcionalidade como unidade de produção agrícola prevalecia sobre outros aspectos menos práticos ou meramente estéticos

 

Património Religioso
Por todo o Concelho é visível a marca da fé deste povo, capelas e igrejas espalham-se pela paisagem. Umas de maiores dimensões, outras mais decoradas, medievais, maneiristas, barrocas, frontarias que representam mais ou menos a riqueza deste concelho.

Todas elas com um ponto comum, perfeitamente enquadradas também elas, neste mundo rural.

Da Idade Média, S. Pedro de Rubiães, uma igreja românica do séc. XIII integrada no roteiro dos peregrinos de Santiago. Edifício de uma só nave, com transepto e campanário posterior a sua construção. Como elementos decorativos de realce, o pórtico composto por 3 colunelos embutidos e respectivos arcos, onde se destaca o dintel com a representação do Pantocrator (Cristo Todo Poderoso). A suportar a cornija, que se encontra decorada com friso geométrico, o conjunto de cachorros de grande valor simbólico e escultórico.

Mais a frente no tempo, Igrejas, e Capelas em geral de período posterior ao séc. XVI, das quais destacamos as Capelas do Espírito Santo, na Vila, Nª. Senhora da Conceição em Venade, Ferreira, as Igrejas de Ferreira, Infesta, Cunha e particularmente Ecce Homo em Padornelo, edifício de belo talhe decorativo em granito, do período joanino, com decoração interior mariano de grande qualidade.

No entanto, as mencionadas, são apenas ténues notas, pois todos os edifícios religiosos, espalhados pelo concelho, são dignos de referência e de visita, mesmo as pequenas capelas ainda abertas ao culto, cuja exuberância poderá não ser notória, são concerteza testemunhos da cultura deste concelho, e onde arte decorativa e a imaginária religiosa se aliam, emprestando-lhes uma beleza singular.