Quinta-feira 17 de Agosto, 2017
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Fique a conhecer melhor o Alto Minho e os dez concelhos que compõem este espaço territorial: Arcos de Valdevez, Caminha, Melgaço, Monção, Paredes de Coura, Ponte da Barca, Ponte do Lima, Valença, Viana do Castelo e Vila Nova de Cerveira. Veja ainda as notícias, curiosidades, rotas turísticas, guias, informação de apoio empresarial e muito mais sobre esta região do Noroeste português.
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Património

Possuindo condições naturais favoráveis, com abundância de terrenos férteis e bem irrigados, todo o concelho de Monção foi desde muito cedo palco de uma intensa ocupação humana que ao longo dos milénios foi moldando a sua paisagem.

 

Desses tempos e dessas civilizações, foi ficando um vasto e riquíssimo património que proporciona uma viagem enriquecedora a quem nos visita. Considerando a sua diversidade e localização, optamos pela apresentação de roteiros patrimoniais temáticos.

 

Património Arqueológico
Castro de S. Caetano (Longos Vales)
A denominação deste local foi definida pela construção da Capela de S. Caetano, entre os séculos XVII/XVIII. A nível arqueológico este castro apresenta um conjunto de três linhas de muralha, definindo-se assim como povoado fortificado de grandes dimensões. O castro de S. Caetano era um povoado típico da Idade do Ferro, com cerâmica indígena, de importação romana, como a ânfora e a sigillata, bem como materiais de construção de influência romana (tegula e ímbrex). São visíveis habitações circulares e sub rectangulares, o que atesta, conjuntamente com o espólio cadastrado, a importância deste povoado desde o século I a.C. até ao século II d.C.

 

Castro da Senhora da Graça (Badim, Sá)
Trata-se de uma elevação granítica, com cota a rondar os 315 metros, de perfil cónico. Ainda são visíveis algumas estruturas circulares. Provavelmente ocupado desde o Bronze Final à romanização plena, este castro, conjuntamente com os de S. Caetano e Sra. da Assunção, Sra. da Vista, dominava completamente o curso médio do rio Minho, donde tiraria grande parte da sua subsistência. Quanto a cronologias de ocupação, Maia Marques aponta para uma ocupação que iria entre séc. II a.C. ao séc. I d.C. Sendo este sem dúvida um local já intervencionado e que de algum modo se apresenta como um elemento importante para o estudo da Idade do Ferro e do Bronze no Alto Minho.

 

Castro da Senhora da Assunção
O nome deste local é conferido pela existência de uma ermida consagrada a N. Sr.ª da Assunção, no topo deste monte, edificada no século XVI. A nível arqueológico este povoado apresenta um conjunto de três linhas de muralha, segundo Maia Marques, definindo assim este habitat como um povoado fortificado. O sítio já foi alvo de intervenções arqueológicas, ficando visível grande parte da acrópole, várias estruturas circulares e sub rectangulares, arruamentos e pátios lajeados, constituindo assim um perfeito modelo de proto-urbanismo que caracteriza os povoados castrejos.  De notar a existência do topónimo Paço, a Norte, muitas vezes associado a vestígios de ocupação romana.

- Gravuras Rupestres da Chã da Sobreira (Podame)
- Petroglifo de Cambezes/ Cova da Moura

 

Património Natural
Os rios sempre foram presença constante na vida deste concelho. Do Rio Minho, que os nossos vizinhos galegos tratam carinhosamente de “Pai Minho”, aos rios Mouro e Gadanha, a água foi, é, e será, um recurso de extrema importância e beleza paisagística.

O rio Minho é um dos rios no nosso país onde o salmão ainda sobrevive, bem como outras espécies em regressão como a lampreia e o sável. A lontra é um mamífero em regressão a nível europeu que encontra nestas águas um pequeno refúgio. A riqueza deste rio é um paraíso para apreciar a fauna e praticar a pesca desportiva, nas muitas pesqueiras.


A Ecopista, de Valença a Monção, proporciona uma grande proximidade com o rio Minho rico, neste percurso, em ilhotas, ínsuas, matas ripicolas e veigas férteis, protegidas pela Rede Natura 2000. Ao longo das margens destes rios, além de um importante património histórico constituído por pesqueiras, pontes e moinhos, encontram-se diversas áreas de lazer que primam pela qualidade num ambiente natural de extrema serenidade, onde o murmurar das águas transmite sensações de plenitude.


Para visitar e deixar-se levar pelo encantamento, destaca-se o Parque das Caldas e o parque de merendas de Lapela (rio Minho); as praias fluviais de Mazedo, Pinheiros e Pias (rio Gadanha); e as praias fluviais de Segude, Podame, e Ponte de Mouro, esta última pertencente às freguesias de Barbeita e Ceivães (rio Mouro).


No Concelho de Monção, existem ainda trilhos pedestres que permitem o contacto com as realidades minhotas, as riquezas florísticas e faunísticas, bem como com o mosaico que as diversas tipologias de uso do solo conferem, originando paisagens estruturalmente distintas. No âmbito da cinegética importa mencionar que em todo o concelho existem 9 Zonas de Caça associativas e 2 Zonas de Caça Municipais.

 

Património Etnográfico
Um pouco por todo o lado, se tem vindo a notar a perda de alguns costumes e tradições populares. O concelho de Monção é uma região rica no que respeita a testemunhos vivos de uma cultura que se combina com as mais ricas e variadas tradições e manifestações populares e religiosas. A cultura popular, continua a ser transmitida de geração em geração, sob a forma oral por meio de lendas, provérbios, cantilenas e os cantares ao desafio.

Em algumas freguesias do concelho ainda subsistem práticas comunitárias como: as desfolhadas, a malhada do milho, as lavradas, as vindimas e o ciclo do linho e ainda se utilizam engenhos de trabalho. Monção conta com inúmeros moinhos e espigueiros, sendo de destacar o Espigueiro Pedro Macau por ser um caso único em todo o Minho, pelas suas características e o conjunto de espigueiros em Luzio.
 
Na sua essência relacionadas com os usos e costumes vividos pelos nossos antepassados que, foram caindo em desuso, continuam hoje a ser transmitidas e dinamizadas pelos grupos folclóricos e associações locais. Para além dos exemplos do folclore e das festas, feiras e romarias, as tradições do concelho de Monção destacam-se pelo seu carácter religioso ou popular, mas que foram sobrevivendo à passagem dos séculos, das quais destacamos:

 . Feira do Alvarinho, Maio/Junho
 . Festa do Linho, em Agosto, na freguesia de Moreira
 . Festival Internacional de Folclore, freguesia de Merufe em Junho; freguesia de Barbeita em Julho; freguesia de Pinheiros em Agosto
 . Domingos Gastronómicos, em finais de Fevereiro
 . Festa da Coca, em Maio/Junho (Dia do Corpo de Deus)
 . Senhora das Dores, em Agosto
 . Feira Municipal (às quintas-feiras)
 . Feira Agrícola do Vale do Mouro (3º sábado e domingo de Junho)

 

Património Civil
Aqui e além, integradas sempre nos domínios agrícolas, surgem solares, casas apalaçadas, com reconhecido valor arquitectónico. A Casa Solarenga, típica da paisagem minhota, residência de aristocratas fundiários, a sua opulência ou discrição eram tanto maiores ou menores, quanto a grandeza e o poderio económico das famílias proprietárias.

O Palácio da Brejoeira (Pinheiros), Casa de Rodas (Monção), Quinta da Portelinha (Cortes) e Solar de Serrade (Mazedo), Casa do Pedral e da Ladreda (Tangil), Quinta do Rosal e Casa da Amiosa (Valadares) entre outros denotam traços arquitectónicos multifacetados, quer na planta e alçados quer mesmo nos elementos decorativos.

Os edifícios populares confinam-se a plantas e alçados tradicionalmente simples e sóbrios, onde a funcionalidade como unidade de produção agrícola prevalece.

Ponte de Mouro
Ponte de Pedrinha (Portela)
Ponte da Rebouça (Troporiz)
Ponte de Pinheiros

 

Património Religioso
Povo religioso, por todo o concelho é bem visível a marca de fé, capelas, alminhas, igrejas espalham-se pela paisagem. Umas de maiores dimensões, outras mais decoradas, medievais, maneiristas, barrocas, frontarias que representam mais ou menos a riqueza deste concelho.

Da Idade Média, Mosteiro e Igreja de Longos Vales, um conjunto edificado de referência no românico da Ribeira Minho, foi construído no século XII e, fundado por D. Afonso Henriques (primeiro rei de Portugal), em 1197. Os capitéis e a característica abside – única na Península Ibérica, estão esculpidos com figuras fantásticas, incluindo serpentes e macacos. A nave apresenta linhas muito simples e arquitectura típica do século XVII.

Na vila é de destacar a Igreja Matriz, uma igreja fundada no reinado de D. Dinis no século XIII. Com influências da arquitectura religiosa gótica, manuelina, maneirista e barroca, o seu pórtico – de estilo românico – é digno de ser admirado. No seu interior, a Capela de S. Sebastião – notável pelo seu estilo gótico – possui o jazigo de Vasco Marinho, seu fundador, secretário e confessor do papa Leão X.

Mais à frente no tempo, igrejas e capelas em geral de período posterior ao século XVI, das quais destacamos a Capela de S. Félix, Igreja e Convento de Santo António dos Capuchos, Capela de Santiago, Convento de Merufe, entre outros. No entanto, as mencionadas, são apenas alguns exemplos, pois todos os edifícios religiosos, espalhados pelo concelho, são dignos de referência e de visita, como por exemplo

Igreja do Divino Salvador Barbeita (séc. XVII/XVIII)
Capela de S. Tiago Barbeita (séc. XVI)
Igreja Paroquial de Mazedo (séc. XVII/XVIII)
Igreja Paroquial de Ceivães (séc. XVI/XVII)

 

Património Militar
 
Castelo da Penha da Rainha
O monte de S. Martinho ou Penha da Rainha situa-se na freguesia de Abedim, podendo-se classificá-lo como um castelo roqueiro, testemunho das características fortificações do séc. IX e XI, da época da Reconquista.
Segundo algumas fontes, os castelos portugueses da época da reconquista, seriam castelos fundiários, ligados a pequenas comunidades de possuidores ou a senhores que os fomentavam para apoiar os seus homens. Quanto aos castelos pré-românicos, nos quais julgamos se inserir o Castelo da Pena da Rainha, foram sofrendo variadas transformações no período sequente, nunca deixando de evidenciar a elementaridade do seu sistema defensivo.
A região do Alto Minho é uma área que se revela propícia ao estudo deste grupo de castelos românicos, cabeças de terra. Por volta do séc. XII as preocupações estratégicas vão se alterando, passando o interesse régio para construções militares na linha de fronteira (Castro Laboreiro, Melgaço, Monção, Valença, Vila Nova de Cerveira, Caminha). Como tal deu-se um relativo abandono dos castelos pré-românicos, cabeças de terra mais no interior e sobre a montanha.

Torre da Lapela
Esta imponente torre, é o que resta da severa fortaleza, erguida por D. Afonso Henriques junto à margem esquerda do rio Minho em cima de laje de granito. A torre tem cerca de 35 metros de altura, com 22 metros de largura e paredes de 14 palmos (3 metros de espessura). É uma construção sólida, preparada com pedras cúbicas, sem vestígios de cimento e com juntas perfeitamente unidas, tendo em cada pedra uma letra em que se diz o valor dela. Foi demolida na sua quase totalidade por D. João V para com as pedras reparar a fortaleza de Monção.

Muralhas de Monção
Das muralhas medievais de Monção, construídas no tempo de D. Dinis (1305 a 1308), resta apenas um trecho junto ao passeio dos Néris. Devido à intensificação das guerras à mão armada, construíram-se outras mais extensas, que compreendiam quatro portas principais: a de Salvaterra, do Rosal, da Fonte (Caldas) e de S. Bento. As actuais muralhas resultam de uma modificação ocorrida no começo do século XVIII. São consideradas Monumento Nacional pelo decreto de 16-06-1910, tendo sido rompidas em três lados: para assento da via-férrea, para a abertura da estrada das Caldas e para a construção da estrada em direcção a Melgaço.

Forte de Cortes
Este forte ou conjunto de trincheiras, pertence ao período Moderno. Poderá estar associada às guerras da Restauração ou das invasões francesas.