Segunda-feira 21 de Agosto, 2017
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Percurso pelos Fortes do Litoral

Deve haver poucos lugares no mundo onde, em pouco mais de quarenta quilómetros de costa, se encontrem seis fortes: o Castelo de Santiago da Barra, em Viana do Castelo; o Fortim, na Areosa; o Forte de Paçô, em Carreço; o do Cão, na Gelfa; o da Lagarteira, em Âncora; e o da Ínsua, em Caminha.

Estes fortes, que outrora protegeram as povoações de pilhagens, são hoje sentinelas que perderam a sua função guerreira, mas ganharam um papel evocativo na paisagem. O forte da Ínsua, situado numa pequena ilha no mar, junto à foz do rio Minho, é o que melhor representa este poder evocativo.

Percorrê-los hoje é fazer um percurso activador de memórias e imaginários muitas vezes afastados da sua razão de ser original e da sua história.

O ponto de partida do percurso situa-se na cidade de Viana do Castelo, junto ao Castelo de Santiago da Barra. Este local é de evidente importância militar. Terá existido uma estrutura defensiva mais antiga, mas foi no século XV/XVI que aqui se edificou uma torre, a chamada Torre da Roqueta, ainda existente, ostentando as suas decorações manuelinas.

Em tempo de D. Sebastião, o edifício terá sido aumentado e alterado, mas os vestígios de tal intervenção apenas são legíveis através de actividade arqueológica.

O aumento da pirataria e as circunstâncias políticas posteriores a 1580, levaram a que na época filipina que se seguiu àquela data, algumas medidas defensivas do litoral atlântico do território fossem efectuadas.
Uma dessas medidas foi a construção de uma nova fortaleza para este local. O risco parece dever-se a Tibúrcio Spanochi, ou a Filippo Terzi, e resultou numa muralha pentagonal de quatro baluartes, que integrou a Torre da Roqueta. Já no século XVIII foram-lhe acrescentados dois revelins.

Esta fortaleza segue as linhas clássicas da época, com os ângulos das muralhas calculados para minimizar eventuais ataques de artilharia inimiga. Em 1640 a fortaleza desempenhou um papel significativo na Guerra da Restauração. Mais tarde provou novamente o seu valor aquando das tentativas de conquista napoleónica. E finalmente, em 1846, durante a rebelião da Maria da Fonte, voltou a assumir papel de destaque.

Dentro deste espaço, funciona actualmente um Centro de Congressos e a Escola de Hotelaria e Turismo.

Depois de visitar este forte siga em direcção à Praia Norte. Quase no fim da Avenida da Praia Norte encontramos, à direita, a Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, rodeada por amplos espaços verdes. Continuando o percurso chegamos à Praia Norte, com grandes zonas pedonais, cafés e esplanadas que convidam a uma paragem para observar o mar e a praia. Seguimos caminho, sempre junto à praia, até chegar ao Fortim da Areosa. Este é um típico exemplar de arquitectura militar, maneirista. A fortaleza foi planeada de planta estrelada, de pequenas dimensões e de alçado muito simples.

Retomamos o percurso ao longo do litoral em direcção à praia de Paçô, em Carreço, seguindo pela EN 13. Antes de chegar, podemos observar do lado esquerdo o Monte de Montedor, com o seu farol de 22 metros, o mais setentrional da costa continental portuguesa. Depois, seguimos até à praia de Paçô, uma das praias mais formosas do Alto Minho, também designada de Praia dos Ingleses. O Forte de Paçô domina a praia. Foi abandonado há cerca de 50 anos sendo considerado, desde 1967, Imóvel de Interesse Público. É uma obra da arquitectura militar do século XVII, relativamente modesta de tamanho, mas eficientemente localizada num ponto estratégico, mesmo sobre o mar. Em conjunto com os fortes do Cão e da Vinha provou a justeza da sua construção, impedindo desembarques nesta zona da costa.

Daqui apanhamos novamente a EN 13, em direcção ao Forte do Cão, situado no topo sul de Vila Praia de Âncora, junto ao Sanatório da Gelfa. Este forte foi construído de raiz durante o período da Guerra de Restauração, para ajudar a proteger a costa portuguesa perante a ameaça da armada espanhola, bem como para fazer frente às incursões da pirataria.

É uma fortaleza de pequenas dimensões, em tudo correspondente ao que era a prática da engenharia militar do século XVII. A planta das muralhas é em forma de estrela, com baluartes nos vértices.

Já em Vila Praia de Âncora podemos observar o Forte da Lagarteira ou Forte de Âncora, Monumento Nacional, que se ergue na margem direita do rio Âncora, sobre um maciço rochoso, junto ao Portinho, no lugar designado por Lagarteira.

É um monumento de arquitectura militar do século XVII, mandado construir durante a Guerra da Restauração por D. Pedro II, para o reforço da costa portuguesa perante a ameaça espanhola, integrando-se na linha defensiva estrategicamente colocada nas margens do rio Minho e ao longo da costa atlântica. Trata-se de uma fortaleza militar seiscentista de planta estrelada, de pequenas dimensões e alçado simples.

Em tempos, esta fortaleza de cariz militar serviu para defesa da costa. Hoje, possui uma utilização administrativa da Capitania do Porto de Caminha e Delegação Marítima de Vila Praia Âncora.

Mais adiante, continuando pela EN 13, avistamos à saída da barra de Caminha, onde o rio Minho encontra o mar, uma pequena ilha arenosa com um forte… que nos faz evocar os nossos romances de piratas ou histórias de aventuras.

Nos finais do século XIV, um grupo de frades franciscanos ocupou essa ilhota, aí edificando um cenóbio. A particularidade de existir captação de água doce, num poço, naquele pedacinho de terra rodeado de oceano foi determinante para essa instalação. Coevo dessa ocupação seria o primeiro forte da ilhota, mandado construir por D. João I. Mas já nada subsiste dessa original fortificação.

O convento dos mendicantes recebeu melhoramentos e ampliação, em 1471. Poucos anos passaram até à visita de D. Manuel I, aquando da sua peregrinação a Santiago. O rei decidiu ir à ínsua e logo ordenou mais melhorias e remodelações no edificado, já que o forte era um ponto estratégico na defesa contra os corsários e precisava de obras que aumentassem a eficácia defensiva e de fogo.

No reinado de D. João IV, e ainda em função da defesa da fronteira do Minho, o forte foi profundamente remodelado. O que hoje vemos é o resultado dessa última remodelação, com os seus cinco baluartes a defenderam as muralhas em forma de estrela. No interior do forte, mantinha-se o convento franciscano.

Até ao final do século XVIII, o forte e o mosteiro ainda receberam algumas obras de beneficiação, tendo mesmo os frades saído durante um período de cerca de dois anos, para permitir o desenrolar dos trabalhos. Mas, em 1834, com a extinção das Ordens Religiosas, o mosteiro foi abandonado de vez. Se pretende visitar a fortaleza terá que contactar a Capitania do Porto de Caminha, para fazer a travessia até à ínsua.

Durante todo o percurso dê uma espreitadela às praias do litoral minhoto, com areais mais ou menos extensos e zonas de banhos mais ou menos rochosas, mas seguramente com águas cristalinas. Aproveite ainda para encher o peito de maresia…

É hora de abrir a janela e apertar o cinto: a viagem, polvilhada aqui e ali de desvios avulsos e costurada ao longo da costa atlântica, começa agora.